Se a Luz Tivesse Beiços

Se a luz tivesse beiços rir-se-ia
de quem fecha os olhos para ver
do claro dia apenas sombra e esquivando o perigo
de uma relação íntima com a dúvida

não ousou nunca
dar-lhe o braço, para não sentir
o corpo dela a enlaçar o seu, e provar-lhe
da carne o inesperado gosto.

Júlio Pomar, TRATAdoDITOeFEITO

3 comentários:

clara umbra disse...

Que belo poema! E eu nem sabia que o Júlio Pomar escrevia, decerto ignorância minha!

jo zepin disse...

Nem eu, nem eu!
já não bastava "escrever" belos quadros, como também "pinta" belos poemas!

obrigado pela visita e pelo comentário!

Anónimo disse...

Lindo!Não dar o passo, não assumir o gesto que compromete, não morder a maçã, ou sim, ir em frente, o dilema é bíblico.
Ainda bem que Eva não resistiu, porém. O mundo seria demasiado angelical. Ficar na indecisão pode manter a ilusão e pode apaziguar a consciência, mas não faz aplacar os demónios.